As melhores brincadeiras para cada fase do bebê

Brincar não é parte apenas da natureza dos bebês. É também o modo como eles aprendem a organizar e a entender o mundo.

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Mamães e papais de futuros artistas, empresários, profissionais liberais, tomem nota disto: a cantiga de ninar que você canta para o seu bebê para embalar o sono dele, as coceguinhas na barriga, as caretas, o móbile pendurado no berço e, depois, os brinquedos têm um papel crítico no desenvolvimento da criança e nas habilidades que ela aprenderá e usará mais tarde.

Brincar é uma espécie de combustível que vai alimentar toda atividade intelectual em que a criança se engajar. “O cérebro se desenvolve desde o nascimento até a vida adulta. Os genes fornecem o projeto básico para esse progresso, mas as experiências dos primeiros anos de vida afetam o modo como ele é colocado em ação. Se elas são positivas, felizes, a arquitetura do cérebro da criança constrói uma fundação forte para o aprendizado, o comportamento e a saúde. A brincadeira é uma dessas experiências basilares, e os bebês já são capazes de reconhecê-la poucos dias depois do nascimento”, explica o pediatra Jack P. Shonkof, diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard (EUA).

Segundo Shonkof, as interações que os pequenos terão com os pais no início da vida podem ser comparadas a um jogo de tênis. A bola, no caso, é o estímulo oferecido pelos cuidadores para que a criança possa “rebatê-lo”. “Bebês pequenininhos, claro, respondem ao estímulo por meio de expressões faciais, pelo balbuciar ou por um sorriso. Tocar os pezinhos deles, apertar os dedos das mãos são formas simples de brincadeiras para as primeiras semanas e meses de vida.” Para Mauro Luís Vieira, criador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desenvolvimento Infantil (NEPeDI), da Universidade Federal de Santa Catarina, o “coração” desses estímulos é a afetividade dispensada à criança. “Não é o conteúdo da fala que tem relevância, mas os atos que partem dos pais e que dão importância ao bebê e reafirmam que ele faz parte do ambiente. Isso é essencial.” A especialista em desenvolvimento infantil Teresa Ruas, de São Paulo, diz que as brincadeiras não precisam envolver necessariamente um objeto ou um brinquedo. “Mas eles potencializam a interação.” Já a doutora em antropologia Adriana Friedmann, autora do livro O Desenvolvimento da Criança através do Brincar (Moderna), explica que é imprescindível deixar o baixinho explorar o seu entorno de forma autônoma para que ele seja desafiado e para que o adulto descubra suas habilidades. “Claro, os espaços devem ser seguros e os objetos não podem oferecer perigo. Mas ensinar brincadeiras, assim como estimular o movimento, sempre respeitando o tempo de cada bebê, que é muito individual, sem pressionar ou forçar e sem precocidades, também é essencial.”

Tudo o que o nenê tem como equipamento básico quando nasce são os sentidos e é por meio deles que ele inicialmente vai interagir com o mundo. “Os olhos são as primeiras ‘mãos’ do bebê e eles acompanham tudo atentamente. Sons, cores, texturas atraem muito a sua atenção e estão entre as brincadeiras ideais dos primeiros meses de vida”, relata Teresa. À medida que ele vai crescendo e desenvolvendo novas habilidades, como seguir movimentos verticais com os olhos, pegar ou pinçar com os dedos um objeto e, mais tarde, engatinhar e andar, as brincadeiras se tornam aquela peça que faltava no quebra-cabeça: um modo de dar sentido à figura, ou seja, ao mundo. “Brincar é uma terapia para a criança e ela expressa alegria e satisfação ao descobrir e elaborar algo que antes não entendia”, afirma Mauro. Mas não é só. “Muitos especialistas dizem que brincar também dá a chance de a criança colocar para fora o ‘cientista’ que existe dentro dela, explorando e testando ideias sobre como o mundo funciona”, diz Kathy Hirsh-Pasek, professora de psicologia da Universidade Temple (EUA).

Montar blocos, apertar um botão que faz sair um bicho ou um som, só para citar alguns passatempos, nada mais é do que formas de o pequeno aprender a decodificar e categorizar todas as novas informações que ele recebe. “É assim que o bebê estabelece relações com o mundo que o cerca, aprende a resolver problemas, a lidar com o medo do desconhecido e com os seus anseios. Uma das brincadeiras de que eles mais gostam é quando a mãe esconde o rosto atrás de uma fralda e reaparece. É a partir de coisas como essas, por exemplo, que eles lidam com a questão da ausência da mãe, aprendendo rapidamente que ela é temporária”, explica Maria Angela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar, da PUC de São Paulo. Cubos, livros de pano e tudo o mais que é oferecido ao pequeno também têm papel fundamental, não apenas no desenvolvimento das habilidades motoras finas e grossas e da coordenação como na sua evolução cognitiva. “As brincadeiras no início da vida são essenciais para o desenvolvimento da criatividade, algo que depende de funções mentais mais complexas, como observar, perceber, analisar, sintetizar, classificar e selecionar. E os passatempos com que ele terá contato ao longo do seu desenvolvimento vão introduzindo aos poucos essas capacidades”, analisa Maria Angela.

Segundo a antropóloga Adriana, é brincando que o pequeno imita, espanta-se, é desafiado, frustra-se e conquista novas emoções. “Tudo isso vai ajudá-lo a adentrar no mundo à sua volta, nos costumes, regras, ritmos e obrigações que virão mais tarde.”

As melhores brincadeiras para cada fase

Segundo a pedagoga Ângela Cristina Munhoz Maluf, autora do livro Brincar: Prazer e Aprendizado (Vozes), qualquer brincadeira deve atender à faixa etária em que o bebê se encontra. “Ela deve ser atrativa e muitas vezes é necessário adequá-la à idade do menino ou da menina, estimular o desenvolvimento nos aspectos de descobrir, inventar, refletir, tocar etc. Também é muito importante o olhar afetuoso, demonstrar confiança e muitos sorrisos”, explica.

0 a 4 meses

É hora de aguçar os sentidos do filhote. Fazer carinho, massagem, deixá-lo olhar para você são excelentes opções. “Uma boa dica é segurá-lo nos braços e dançar juntinhos pela casa. Outra dica é cantar. Faça vozes diferentes, acrescentando o nome do bebê na música”, sugere Ângela Cristina. Até 3 ou 4 meses de vida, o recém-nascido se comporta como um “míope”, quer dizer, tem uma visão “embaçada” para objetos e detalhes colocados mais longe que 20 a 25 centímetros. A sua visão é ótima para coisas que ficam, no máximo, à distância de um palmo de mão. Portanto, mostre as coisas para ele, sempre bem pertinho, e movimente-as em várias direções. As suas expressões faciais também serão observadas com atenção por ele, como os movimentos dos olhos, das sobrancelhas e da boca. “No primeiro mês de vida, a criança já consegue dirigir os olhos para o objeto que chama sua atenção. Aos 2 meses, eles já seguem um objeto na horizontal e, aos 3 meses, na vertical”, explica Teresa Ruas, especialista em desenvolvimento infantil. Como ele ainda não enxerga bem, se você estiver longe, faça um ruído, como bater palmas ou balançar um chocalho para que ele tente identificar de onde vem o som. Mas o ruído não deve ser muito estridente ou agudo. Outra boa opção, por exemplo, é balançar uma fralda ou um lenço macio na frente do bebê, pousando-o em sua cabeça.

4 a 8 meses

Nessa fase, diz Ângela, quando provocado com gestos e brincadeiras, o bebê fica excitado e com a respiração acelerada. “Faça caretas, mostre objetos e faça-os sumir de repente.” Se, no início da vida, os movimentos da criança eram acidentais, depois dos 4 meses eles começam a ser voluntários. “se o pequeno inicialmente tocou em algo que, por exemplo, fez um barulho e isso gerou prazer para ele, ele vai querer repetir”, conta Teresa. Portanto, tenha o mesmo objeto que gerou essa sensação prazerosa para ele à mão, para que, com o desenvolvimento, ele aprenda a intencionalmente pegá-lo ou atingi-lo. “Pode ser algo que tenha uma textura agradável ou que produza um som”, sugere. De acordo com Ângela, eles também costumam gostar de fantoches e de vê-los se movimentando. “Para que o bebê possa acompanhá-los, conte uma historinha.”

Com pouco mais de 4 meses, a criança já consegue focalizar melhor objetos distantes e levá-los à boca. “Brinquedos de diferentes texturas e formatos e que possam ser colocados na boca são ótimas opções”, recomenda Teresa. Escolha objetos grandes, que não possam ser engolidos, macios, laváveis e que não soltem pedaços.

Entre 6 e 8 meses, os bebês, em sua imensa maioria, já conseguem sentar sozinhos. “Eles adoram ver as pessoas cantar e bater palmas e até fazem movimentos com o corpo ou batem palmas”, conta Ângela. Segundo a pedagoga, outra dica é comprar uma bola pequena de plástico mole ou de tecido e jogá-la na direção do pequeno. “Aos poucos, ele vai aprender a jogar de volta.” Nessa fase, as crianças também já conseguem segurar objetos grandes, puxálos e soltá-los no chão. Blocos para que seu filho possa batê-los um contra o outro e colocar dois objetos simultaneamente nas duas mãos são ótimas opções. Aos poucos, o pequeno se dará conta de que, se deixar cair um deles no chão, poderá transferir de uma mão para a outra o que restou. Outra dica é deixar brinquedos cada vez mais afastados da criança para estimulá-la a ir em direção a eles engatinhando. Incentive e faça festa quando ele conseguir. “Outra sugestão são brinquedos com os quais o bebê possa aprender que para cada ação há uma reação, como apertar um botão e aparecer um bicho ou produzir um barulho”, conta Teresa. Outro passatempo que eles adoram é brincar de aviãozinho, quando os pais fazem com que o filho “voe” na horizontal e em vários sentidos. Cócegas mescladas a palavras de incentivo e muitos beijos também são irresistíveis.

8 a 12 meses

“Nessa fase, é importante estimular o desenvolvimento motor, como ficar de pé, empurrar e tentar subir”, explica Teresa Ruas. A maioria dos bebês dá os primeiros passos entre os 9 e 12 meses. É a partir dessa idade que a criança começa a fazer vinculação entre as coisas. “Ela vai gostar de empilhar blocos, peças de encaixe simples, explorar uma caixa de sapato, brincar com potes com água para que possa esvaziá-los e esperar alguém encher novamente. Os bebês também adoram imitar os sons que os animais fazem.” Como já ganhou mais habilidades motoras e anda, diz Teresa, a criança se sente dona do mundo, “uma verdadeira exploradora que já aponta os brinquedos que quer”.

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